Corrida de Reis: Há sempre um motivo para correr
Publicado em 08/01/2010 
RACHEL VARGAS Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
A equipe Grancursos treina com a meta de subir ao pódio da corrida que volta a ser disputada à noite, como na primeira edição, em 1971.
Para os corredores de rua, o início do mês de janeiro significa o final da temporada de 2009. E para fechar o calendário de corridas mais de 6.500 competidores vão disputar, amanhã, a mais tradicional prova da cidade: a Corrida de Reis. Em sua 40ª edição, a competição volta aos moldes da primeira vez, realizada em 6 de janeiro de 1971: será disputada à noite, com largada dos pelotões a partir das 19h. Além do diferencial do horário, a premiação e o desafio de percorrer um dos percursos mais difíceis e exaustivos de Brasília são os grandes atrativos do público.
Entre os participantes, 55 atletas formam a equipe do Grancursos, que neste ano promete subir o pódio. Composto por corredores que disputam o pelotão das principais corridas de rua, o grupo serve como exemplo e motivação para quem está começando.
Um dos exemplos na equipe é Damião Anselmo Souza. O corredor estabeleceu a segunda melhor marca Sul-Americana em 2009, com o tempo de 28min28seg nos 10 mil metros no Troféu Brasil. Um resultado ainda mais comemorado por ter sido a estreia dele em provas de pista, já que Damião costuma correr em provas de rua. “Nunca tinha corrido em pista. Fiquei muito feliz. Agora é buscar um bom resultado no sábado”, planejou.
Além dele, Adelson Alves Rodrigues, o melhor da equipe Grancursos na Corrida de São Silvestre, com o 27º lugar, é uma das apostas. Natural de Barão de Grajaú, município do Maranhão, o corredor retorna à Corrida de Reis depois de um ano sem disputar a prova. “Estou empolgado com o resultado da São Silvestre. Será uma motivação a mais para conseguir o resultado”, explicou. Além disso, ele vem de uma sequência de vitórias no Nordeste, onde em quatro corridas acumulou R$ 12 mil em prêmios. “Eu venho para Brasília para treinar com a equipe e fazer algumas provas. Mas prefiro morar lá. Além de ter mais corridas, é perto do mar”, comparou.
Os treinos de Adelson também se estendem até o Rio de Janeiro, onde mora a técnica Domicina Gomes. Lá, aproveitam para trocar ideias e atualizar a planilha de treinamento. E para completar o roteiro de treinos ele planeja novas experiências com atletas internacionais. “Em 2010, eu pretendo ir à Bolívia ou à Colômbia treinar. Vou fazer um treino específico para a Maratona de São Paulo”, adiantou o corredor, que prefere provas mais longas.
Já Antônio Júnior disputa a Corrida de Reis com motivos de sobra para comemorar. Depois de dois anos longe das corridas, ele retornou ao esporte em fevereiro de 2009 e conseguiu finalizar o ano melhor do que começou, apesar da inflamação na tíbia que o fez abandonar a São Silvestre. Ciente da dificuldade do percurso deste sábado, ele pretende fazer uma corrida de estratégia. “É um sobe e desce terrível. É preciso administrar para concluir bem”, avisou.
Prêmio para todos A Corrida de Reis vai distribuir R$ 58 mil. Na categoria elite, a premiação será de R$ 10 mil para o primeiro lugar, tanto no masculino como no feminino. Também haverá prêmios para as categorias cadeirantes e andantes. A Corrida Mirim vai entregar bicicletas para os vencedores.
Serviço
CORRIDA DE REIS Amanhã Local: largada no Estádio Mané Garrincha Horário: 19h Percursos: 6km e 10km
Nunca é tarde
Trabalhador do controle de entrada dos alunos do curso, Richard Rodrigues é um dos que começou a correr, há menos de um ano, com o objetivo de perder peso. Com 94kg, 14kg a menos do que quando começou a correr, ele admite que se sente ainda melhor quando pode competir ao lado de grandes atletas. “É uma oportunidade muito legal poder correr ao lado deles”, afirmou.
Sem grandes intenções na disputa deste sábado, o corredor só pretende baixar o tempo dos 10km, que está em torno dos 44 minutos. Além disso, aproveita para torcer pelos companheiros de equipe. “Essa turma é muito forte. Ainda estou aprendendo com eles. Acho que têm grandes chances”, apostou o corredor, que fez 16 provas em 2009.
Ex-atleta, Levy Serafin da Costa também se juntou ao grupo. Medalha de bronze no Sul Americano Universitário em 1999, Levy ficou mais de cinco anos afastado do esporte depois de machucar o joelho. Com 60kg a menos do que na fase em que permaneceu longe da corrida, ele recorda os bons momentos em que comemorou vitórias. “Hoje, vejo como um incentivo competir ao lado de corredores tão experientes”, explicou. “Eu rodava como eles fazem hoje. Mas, como estou voltando, vou competir na distância de 6km”, lembrou.
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